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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Infernal

Hoje tenho um ímpeto
Primal e irrecusável
Interno à minha gênese
Ao meu ódio ancestral

Hoje a tua morte é pouca
e somente o castigo eterno
do demônio mais gultural
saciará o meu rancor.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Infante

O que realmente me cativa
nas preces do amanhã
são os sonhos de menino
aquela natureza canhestra
de montanhas segurando um sol
sorridente.

A bola do tamanho da Terra
e a reinvenção do universo
em cartolina e giz de cera
aquele sorriso que se vai
e só reencontramos mais tarde
nos outros.

Cinzas e estrelas

Minha boca tem gosto de cinzas
dessas dum defunto gordo
que enchem a boca
e calam

O sol na beirada da porta
ilumina o quarto vazio
do chão o pó flutua
constelando.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Crônica de uma confissão gripada

As vezes eu me irrito,
me irrito e não me entendo,
É uma força brava de antipatia
que sacode a gente por dentro.
O motivo é meio misterioso
- como o da dor de dente.
O arrepio, ao contrário, indolente
atinge as extremidades por força.
E nada mais me põe à vontade
E tudo me coloca doente.

No fundo da alma se ouriça
a sinceridade
- essa força de gente inocente.
Porém toda pintada de maldade,
surge com um furor incongruente.

Feita arma tal habilidade
- conversão de esponja em tridente -
naturalmente explode. Espontaneamente.
Não é diferente do saco
em que se sopra o ar indiferente.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

esticando a tarde

a perna há muito dobrada já dormente
num sonho de imaginar-se adocicada
se arredia e pede de repente
atenção e, claro, sua mesada.
Na cadeira do meu quarto doente
ignoro sua fisiologia delicada
num lapso, por um momento ausente,
a fotografia reluz invocada.
Esse sentir entumecente aumenta
a seriedade e distorce a cara
espasmo de dor displicente,
gozo de vida solitária.