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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Elegia diária (revisitada)

Meus poemas estão ficando velhos
Ou talvez seja só a noite e a idade
o papel amassado e a dor nas juntas
os olhos fracos, enevoados pelos anos
tantos sem memória.

A página branca toma conta do olho
e o negro dia vai iluminando a noite
separando as nuvens do ocaso branco
céu sem leito para o vermelho
para o ranger de dentes.

sábado, 10 de julho de 2010

Das trocas (primeira versão)


Um poema por dia
Não faz uma vida
mais rica ou viva
nem viva de alegria

Outra alma vivida
pura em plena putaria
todos os poemas troca
por uma puta por hora.

domingo, 4 de julho de 2010

Das trocas (Revisitado)

I
Um poema por dia
realiza uma vida
pobre ou rica
em toda galhardia

II
Uma alma vivida
pura em plena putaria
todos os poemas troca
por uma puta por hora.

domingo, 27 de junho de 2010

Fábula pós-mderna

        I

Um gato olha um espelho
No silêncio do escuro
seu olho cravo no velho
pretérito do futuro

       II

Uma mão desce o ferrolho
Duma porta para o dia
O aceso enfado d'olho
noutro espelho parodia

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Vinum veritas est?

Os poemas para o cânone
são como o vinho para um conoisseur.

Quando jovens são
por demasiado
incompletos

Falta a consistência do selo de garantia.

Quando velhos
exilados em seus barris de carvalho

amadurecidos pelos anos
são néctar
ambrosia
provada em cristal.

Mas a incerteza é a mãe
da pergunta infiel:

Qual é a medida da idade
para um gordo conosseiur
que não quer tomar sangria
não se engasgar com vinagre?