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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Crônica de uma confissão gripada

As vezes eu me irrito,
me irrito e não me entendo,
É uma força brava de antipatia
que sacode a gente por dentro.
O motivo é meio misterioso
- como o da dor de dente.
O arrepio indolente, ao contrário,
atinge, por força, as extremidades.
E nada mais me põe à vontade
E tudo me coloca doente.

No fundo da alma se ouriça
a sinceridade
- essa força de gente inocente.
Porém toda pintada de maldade,
surge com um furor incongruente.

Feita arma tal habilidade
- conversão de esponja em tridente -
naturalmente explode. 
Não é diferente do saco
em que, indiferente, se sopra o ar.
E já não há mais saco pra soprar.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

esticando a tarde

a perna há muito dobrada já dormente
num sonho de imaginar-se adocicada
se arredia e pede de repente
atenção e, claro, sua mesada.
Na cadeira do meu quarto doente
ignoro sua fisiologia delicada
num lapso, por um momento ausente,
a fotografia reluz invocada.
Esse sentir entumescente aumenta
a seriedade e distorce a cara
espasmo de dor displicente,
gozo de vida solitária.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Angústia

No peito um aperto...
tento arrancar os cabelos,
cravar as unhas no cenho
Mas retenho o medo...

O choro que desejo
verdareimente não vem,
por isso cravo em tua retina
esta agulha. E enfim, choro.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

exercício 4

sois fermosa e tudo tendes,
senão que tendes olhos verdes.


os olhos astutos a tudo notam,
vestuário, jeito, tamanho, forma
as maneiras, antes educadas,
à língua sobejo consentem...
Movimentos espasmódicos
os detalhes permitem verdes.
Sois formosa e tudo tendes.

Tudo tendes e nada vos falta
ainda assim os olhos distendes
A alegria alheia todavia ressalta,
algures, os campos sempre mais verdes.
Ligeira contração dos olhos depreendem,
de chamas se enchem novamente.
Senão que tendes olhos verdes.

Olhos verdes manhosos de outrora,
- máscara que à vista estendes,
produto de engenharia metódica,
labirinto que a tudo devora,
alheamento que a atenção desmente, -
mágicos por um par de horas,
o resto da vida doente.

sábado, 7 de junho de 2014

Validade

Hoje, quase vinte e nove.
Vinte e nove e os trinta atrás da porta.
No espelho, um rosto de desgosto.
Os cabelos caem pelo corpo

A casa em que habito não é minha.
A rua vazia convida
mas a azia desestimula.
O leite vence no dia do meu aniversário.