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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Quase confuso

quase comecei a escrever um poema
era um coisa besta, meio lenta
meio presa, mas saia com naturalidade
Me engano se penso, mas é tudo verdade
Outro dia vi um homem sem pernas caminhando
ou lembrei de um poema com mesas a dançar...
Não importa, eu invento tudo, mudo
volto e ignoro o que é surdo
mas, ontem, ao contrário de outro dia,
esqueci de escrever tudo aquilo
que antes me admirava, um dia na praia,
o futebol na pracinha, o filme no cinema
a cama no meio da noite, a mesa no meio-dia
pra que começar um poema e parar a vida?

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Fome

De repente vem uma vontade de repente
Uma vontade de repente vem quente

Vem uma vontade repentinamente

De repente uma vontade toma conta
Uma vontade vermelha apronta

Um desejo assoma
domina a mente
uma semente
coma.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Elegia diária (revisitada)

Meus poemas estão ficando velhos
Ou talvez seja só a noite e a idade
o papel amassado e a dor nas juntas
os olhos fracos, enevoados pelos anos
tantos sem memória.

A página branca toma conta do olho
e o negro dia vai iluminando a noite
separando as nuvens do ocaso branco
céu sem leito para o vermelho
para o ranger de dentes.

sábado, 10 de julho de 2010

Das trocas (primeira versão)


Um poema por dia
Não faz uma vida
mais rica ou viva
nem viva de alegria

Outra alma vivida
pura em plena putaria
todos os poemas troca
por uma puta por hora.

domingo, 4 de julho de 2010

Das trocas (Revisitado)

I
Um poema por dia
realiza uma vida
pobre ou rica
em toda galhardia

II
Uma alma vivida
pura em plena putaria
todos os poemas troca
por uma puta por hora.