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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Infante

O que realmente me cativa
nas preces do amanhã
são os sonhos de menino
aquela natureza canhestra
de montanhas segurando um sol
sorridente.

A bola do tamanho da Terra
e a reinvenção do universo
em cartolina e giz de cera
aquele sorriso que se vai
e só reencontramos mais tarde
nos outros.

Cinzas e estrelas

Minha boca tem gosto de cinzas
dessas dum defunto gordo
que enchem a boca
e calam

O sol na beirada da porta
ilumina o quarto vazio
do chão o pó flutua
constelando.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Crônica de uma confissão gripada

As vezes eu me irrito,
me irrito e não me entendo,
É uma força brava de antipatia
que sacode a gente por dentro.
O motivo é meio misterioso
- como o da dor de dente.
O arrepio indolente, ao contrário,
atinge, por força, as extremidades.
E nada mais me põe à vontade
E tudo me coloca doente.

No fundo da alma se ouriça
a sinceridade
- essa força de gente inocente.
Porém toda pintada de maldade,
surge com um furor incongruente.

Feita arma tal habilidade
- conversão de esponja em tridente -
naturalmente explode. 
Não é diferente do saco
em que, indiferente, se sopra o ar.
E já não há mais saco pra soprar.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

esticando a tarde

a perna há muito dobrada já dormente
num sonho de imaginar-se adocicada
se arredia e pede de repente
atenção e, claro, sua mesada.
Na cadeira do meu quarto doente
ignoro sua fisiologia delicada
num lapso, por um momento ausente,
a fotografia reluz invocada.
Esse sentir entumescente aumenta
a seriedade e distorce a cara
espasmo de dor displicente,
gozo de vida solitária.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Angústia

No peito um aperto...
tento arrancar os cabelos,
cravar as unhas no cenho
Mas retenho o medo...

O choro que desejo
verdareimente não vem,
por isso cravo em tua retina
esta agulha. E enfim, choro.