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domingo, 28 de agosto de 2011

Vago,


A faca escorre pelo corpo
Esverdeada pelos pecados
Passados.
A perda do braço não provoca asco
Mas desritmiza o choro
A porta se fecha
O cão se cala
E a dor falta.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Elegia

um velho mora aqui, filho,
não adianta, ele não quer brincar
O dia todo sentado na varanda
só entra pra se entendiar

um velho mora aqui dentro
da calçada não dá para notar
como todos os velhos, resmunga,
pedindo pro tempo parar

não há motivo para tristeza
a velhice já chegou à raíz,
ela não tem medo da morte
esse vai ser um encontro feliz

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A madeira em minha pele.

Queria ser pinóquio
ou tal qual pinóquio
ser de mentira
pois de mentira
seria infinito
e nesse infinito
me perderia
até que um dia
um dia poderia
viraria um dia
verdade de mentira.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Medéia, ou a iluminação do Ocidente.


Hoje acordei iluminado
Por uma rubra luz
incandescente
Na epifania do desejo
Iludido apego
Da vida

O amanhã nascerá escarlate
Para os filhos da noite
Escura
Minha catarse é nossa
O empírico ego
Do fim.

terça-feira, 1 de março de 2011

Morcego (ou Do bolor e o seu lugar)

Sobre piano, flores, bilhete,
A poeira no chão destoa
A música aos poucos acende
Lembranças de outra pessoa

Na época em que o jardim era verde
No baile emoções sobrevoam
A dança aos poucos distende,
Os nervos nunca perdoam

Se perniciosamente me permito
Músicas, folhas, bilhetes, pessoas,
A poeira aos poucos me deixa doente
Toda comoção enjoa

Um canto, de repente, deleita
Das mágoas já não sinto gosto
Um beijo bailarino abotoa
A gola sufoca o pescoço

A alegria foge, entre dentes,
A poeira tudo enevoa
Aos poucos num gesto dormente
O morcego se lamenta e ressoa