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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cinema Mudo, em preto e branco.





De silêncio em silêncio faço festa
Rock’n’roll mudo nossa transa
É no branco da página meu verso
Essa coisa vazia que sangra

Insana de mudez você clama
Grita sem som de ódio e dor
E eu calado e sisudo não respondo
Mas guardo fechado meu rancor.

Os fatos são repletos de silêncio
E a vergonha do silêncio nos assusta
Pois na calada da noite escura
Só o silêncio guarda nossa cama


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Deslumbramentos e zombies


Milady, é perigoso contemplá-la,
sim, eu sei, estás embaraçada
nos mecanismos e no lamaçal
que me chafurdo e me sustento

mas não desta vez, mas não
com essa severidade, essa selva
que não o quer ser, não de verdade
altiva, quer impor respeito.

Ah! Como me estonteia e me fascina...
E é, na graça distinta do seu porte
muito mais digna, talvez, de que a morte
e filha pródiga do silêncio

As trombetas, pudicas, já soaram
o recolher despertou os caminhantes
Enfim prossiga altiva a Fama,
como antes, pois nada lhe adverte a sorte

Mas cuidado, milady, não se afoite,
Que hão de acabar os bárbaros reais,
e comeriam os dois e ainda mais,
os novos, já passeiam pela noite.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Osmose.

O mundo ao meu redor explode
cinza e vermelho
um quadro de Pollock
E as pessoas se assustam
quando meu coração absorve o negro das palavras
quando o fel escorre dos vapores de meu ser
quando escrevo meu próprio quadro em vermelho.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Homem que explodiu o Congresso. - Prólogo

Prólogo.

    As vezes eu quero dizer certas coisas, mas não digo. Vão pensar que eu sou louco, isso eu penso. Ela diz que não, mas ela mente. Há amor de mais e medo de mais para me mostrar a verdade. Há amor de menos para me mostrar o que eu quero ver. E eu quero tudo e nada. Isso é o que eu penso.
   
   Queria trabalhar como gente decente, mas me falta a coragem para vencer na vida. Olho para minha cama e fico doente. Sete dias é pouco para hibernar nesta vida. Hiberno sete anos, quiçá servirão-me sete décadas de sonho. Morreria se fosse crente, isso eu penso com certeza. Talvez exista um lugar onde só se possa ser, sem se explicar. Sem trabalhar. Só orar e comer e dormir. Sem sexo. Sem consciência. Tal lugar é onde mora Jesus?
Duvido.

    Se existe céu, a entrada não é franca e com certeza os terrenos exigirão padronagem de construção. Eu conheço Jesus e ele não mora barato.  Porque se morasse barato, seus templos seriam casinhas da CDHU. Se Jesus fosse de graça, não cobrariam ingresso para rezar. Jesus está sendo vendido e vendendo há 2011 anos. Nos foi vendido com uma entrada de 30 moedas de prata, 2011 anos de juros e correções. Isso sim que é negócio. Talvez eu devesse ser pastor, mas me falta coragem.
    
    Eu queria mesmo era comer um cú. Só pra dizer que comi. Entrar em outro buraco, gozar na cara. Dar na cara. Essas coisas que homem que é homem faz. Porque sexo bom não é amor, é ódio. Sexo bom tem que ser baseado em dominação, em abuso de poder. Tem que pegar aquela mulher que você odeia e deixar molhadinha batendo o pinto na cara. Isso sim é sexo! Chupa que é de uva!
    
     Mas sexo em si é uma coisa complicada. Muita gente dizendo, contando, vendendo, muita gente sem fazer direito. Sexo vende igual Jesus. às vezes mais. Sexo se vende antes de Jesus, inclusive, ou você acredita que Maria era Virgem? Mas antes de Jesus vendiam Moisés. Venderam também Brahma e outros negos. Venderam o Olimpo. Engana-se quem acha que superaremos o capitalismo. O Capitalismo é Atemporal. O capitalismo é sexo, é Jesus, o capitalismo é a humanidade.
Eu sou o Capitalismo.
    
       Quer pagar quanto? Quem quer dinheiro? Quer vender seu produto? Seu corpo, sua uva?
    
    Eu devia mesmo era ser traficante. Cheirar fumar e meter bala. Devia traficar no morro da mangueira em época de carnaval. Altos preços em alta temporada. Capitalismo na veia. Capital na velha. Sexo, drogas, rock and roll. Não sei cantar, se soubesse, não seria artista porque sou feio. Pra ser artista tem que ser bonito ou pintudo. Ou dar pra alguém.
   
     Eu devia era ser racista. Desses de máscara branca. Para exterminar as outras cores e deixar tudo branco. Mas nada de cor de sol! Nada de moreninhos. Nada de nada que não fosse branco, bem branco. Do pálido branco da morte. Porque no final, só no final, somos todos brancos. Mas isso é pouco.
    
    Eu queria mesmo é que o mundo acabasse num apocalipse ZUMBI! Assim a gente limpava esse atentado que chamamos de nós. Assim talvez eu tivesse paz. A linda paz de quem tem suas entranhas devoradas por bocas em decomposição. Talvez assim eu fosse feliz. Sabendo que os políticos e as ex-esposas estivessem todos como eu, devorados.
    
   O que eu queria mesmo, mesmo, mesmo... era explodir o congresso em dia de votação para aumento de salário de deputado...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

sem correspondências

Um sipó violáceo-escarlate
num laço simpático ostenta
as rugas que surgiram no plástico
e as flores que o sustentam.

- No plástico não há dor
não há quem se perca
Viadutos que o sipó aguenta
Tentados pelas flores correntes

No limbo, seu divã, o diabo
reluz, seiscentos e sessenta
mil espelhos dourados
a virtude afugentam e aprisionam

As flores serpentes carregam
o plástico destilando simpatia.
O laço do carrasco de um sábado
põe a cara da cor que refletia.