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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Bois que derrubam cerca

De ferrões em brasa e instinto
malcriado a muriçoca se excita
e belisca o possante gado.
Como uma mãe que em riste
percebe o filho acossado, o boi
de um salto se expande
correndo desesperado.
Se pimenta nos olhos dos outros
é refresco, não sei, mas a bebida
deixa todos ouriçados, com espanto,
a massa homogênea estilhaça
antes boi sossegado.
Unidos por berrante
e boiadeiros bem asseados,
agora, enxame de abelhas,
açoitam e não olham pro lado.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

De perna longa

uma cenoura é sempre uma cenoura
assim como os pingos da roupa
no varal de meus sonhos
tornados pássaro e aí velhinho?

buraco negro, na parede,
que se passa, que os passáros
não andam, só os patos
que pensam e vivem sorrindo

um varal é uma vida na borda
sorriso que disfarça
um pássaro tornado cenoura
e amado pelas crianças

uma criança é sempre uma criança
assim como os pingos do varal
são sonhos da minha roupa
tornados velhos e aí passarinhos?

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Fanfarrão

Num dia desses ou numa noite dessas
Você vai encontrar uma pedra
Uma pedra no caminho
Medo não é preciso
Não esqueça, não estará sozinho

Num dia desses ou numa noite dessas
Você vai perder seu caminho
Mas basta seguir a pedra
Não se esqueça não é preciso
Pressa, gigantes são moinhos

Num dia desses ou numa noite dessas
No caminho de uma pedra se perderá
Perdido estará o que se é
Não é preciso duvidar
Não se esqueça de manter-se em pé

Num dia desses ou numa noite dessas
Você não vai encontrar nada
Nada é o fim da estrada
Não é preciso desespero
Não se esqueça o retorno é a virada.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

VI VIDA

Vi vida no enquanto do caminho Vi vida vivida com carinho Vi vidas acompanharem o sozinho. Também vi morte lá no meio do caminho Vi morte lá vivida em burburinhos E vi mortes, de vidas, revividas. Em cada vida, vi mais vida nos olhinhos. Em toda vida, me vi vinda dos caminhos. E vivi a vida vendo mortes acolhidas. E vivi a vida vendo vidas redimidas. Vivi as vidas que me foram concedidas. Vidas, vi vidas! Vividas em cantigas.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cinema Mudo, em preto e branco.





De silêncio em silêncio faço festa
Rock’n’roll mudo nossa transa
É no branco da página meu verso
Essa coisa vazia que sangra

Insana de mudez você clama
Grita sem som de ódio e dor
E eu calado e sisudo não respondo
Mas guardo fechado meu rancor.

Os fatos são repletos de silêncio
E a vergonha do silêncio nos assusta
Pois na calada da noite escura
Só o silêncio guarda nossa cama